Nossa Visão e Missão

QUAL É A ESSÊNCIA DA NOSSA MISSÃO?

Mais um ano termina e em meu coração fica a pergunta: Como Homem de Deus fui um agente de proclamação do Reino de Deus? Como Pastor trabalhei para que a comunidade em que sirvo compreenda a essência de nossa missão como igreja? Como ser humano fui um bom pai, um bom esposo, um bom amigo?

Quero deixar essa mensagem para a reflexão de todos os meus irmãos e companheiros de jornada. Em 2018 quais lutas valem a pena se lutar? Usei algumas ideias do livro de Jean Vanier que recomendo a todos lerem (Comunidade Lugar de Festa, lugar de Perdão – Ed Paulinas) e de um amigo querido (Carlos Bregantim) que faz alguns anos que não vejo, para ilustrar bem minha angústia e preocupação. Espero que todos iniciem 2018 procurando respostas de Deus, e lutando por um Evangelho mais verdadeiro.

Jose Comblin no THEOLOGANDO INTERNACIONAL realizado em São Paulo (outubro/2007) fez a seguinte afirmação:” A igreja precisa decidir se ela deseja expandir a instituição religiosa ou se parecer com Cristo.”

Pelo que temos visto, tanto a Igreja católica, quanto a chamada igreja protestante e todas as suas derivações, todas, sem exceção já decidiram que, expandir a instituição religiosa é a missão da Igreja Institucional. Agora é obvio que o cristão mais simples sabe que o propósito final de Deus em nós é nos tornar parecidos com seu Filho, e que a tarefa maior da igreja é fazer, produzir, criar seres humanos melhores que num processo segundo Paulo, de Glória em Glória chegarão a estatura de varão perfeito.

Penso que o maior desafio das comunidades que desejam ser parecidas com Cristo é vencer a tentação de se institucionalizar. Digo isto porque, como pastor de uma igreja histórica sonho em pastorear uma comunidade mais informal, que se encontra para reler o evangelho, celebrar o encontro, e no encontro a presença de Deus, e na presença de Deus encontrar um novo significado para a vida. Escuto vozes, não dos que estão sendo curados, restaurados e se apaixonando novamente com o evangelho de Jesus de Nazaré. Não, estes estão felizes e livres. Embora com um discurso de que desejam se parecer com Cristo, ainda vivem uma espiritualidade vazia, morta, baseada na performance e no resultado. Uma devoção egoísta e materialista, que tira a alegria de compartilhar a vida comunitária em torno da Ceia do Senhor.

Sim o que mais ouço é: Silvestre isso é uma utopia, não tem jeito, vocês à medida que crescem inevitavelmente se institucionalizarão. Primeiro como dizem todos, é uma questão de ordem, depois segundo outros, não tem como é necessário criar os chamados ministérios, elaborar calendários repleto de atividades e daí por diante todos já conhecemos bem o final, ou seja, gente cansada, ferida, sem alegria, servindo a estrutura e mantendo o bem-estar da instituição religiosa. E para manter a instituição e sua estrutura tem que treinar seus membros e torná-los eficientes, e tudo isto com aquele discurso de que Deus se agrada disto e, portanto, Ele abençoara todos os que se tornam voluntários nos ministérios, nos departamentos. Não importa o tipo de homens e mulheres que são. O tipo de profissionais, de cidadãos, maridos, esposas, pais, mães e filhos. Importa que sejam “bons” presbíteros, diáconos, ministros, diretores de departamentos, etc....

Por melhores que sejam os modelos, o que tem ficado cada dia mais claro é que as pessoas não estão sendo ensinadas a serem melhores seres humanos, elas estão se tornando mão de obra gratuita nas mãos de seus líderes e expandindo suas instituições. As pessoas ficam boas, melhores equipadas para eles, para a estrutura, não necessariamente para Jesus, para a vida e para os outros.  Qual a essência de nossa missão? Claro, com o tema central do evangelho, ou seja, ensinar o cristão a olhar como Jesus olhou, ouvir como Jesus ouviu, tocar como Jesus tocou, perdoar como Jesus perdoou, repartir o pão como Jesus repartiu. Aprender ir a festas e velórios. Frequentar aos altos escalões do mundo corporativo, mas frequentar também os hospitais. Transitar pelos corredores dos palácios governamentais, mas transitar também, nas favelas e nas periferias. Percorrer corredores de condomínios de alta classe, mas também corredores de presídios. Este tipo de cristão é o resultado dos que são confrontados com Jesus e na presença dele e sob a influência do Seu Espírito são curados e libertos para cultuar a Jesus no chão da vida. Cuidam do corpo buscando nunca exagerar em nada sabendo ser ele o templo do Espírito. Cuidam de suas almas buscando manter suas emoções saudáveis.

Cultivam uma espiritualidade para suprir a si mesmos e a outros tornando-se solidários e encorajadores: suporte na vida de muitos. Seres humanos melhores lutam contra a pobreza, a injustiça, as discriminações, as desigualdades sociais, raciais, culturais, religiosas, etc....Ficam algumas perguntas ou sinceras reflexões...Como um suntuoso templo torna um ser humano melhor? Como os ricos utensílios, equipamentos de primeira, aparatos tecnológicos, logística, estratégia e organização tornam um ser humano melhor? Como os treinamentos mais apurados tornam um ser humano melhor? O Reino de Deus é simples, Jesus resume tudoem um único mandamento, “AMA A DEUS E AO TEU PRÓXIMO COMO A TI MESMO”.

No que a estrutura religiosa tem contribuído para que tenhamos seres humanos que amem a Deus, amem o próximo como a si mesmos como ensinou Jesus? É hora de libertar os seres humanos do jugo imposto pela estrutura religiosa que os tornam escravos de homens e sistemas. É hora de, no mínimo, colocar as estruturas religiosas a serviço das pessoas. É hora de profetizar que a verdade de Jesus nos torna livres. Livres em suas consciências visitadas e transformadas pela Graça de Deus que os faz serem desapegados, mortos para o sistema mundano, e vivos para viverem o amor e a graça. Sendo no mundo, sal, luz, perfume, cura, perdão e tudo aquilo que é decorrente de uma vida entregue e abandonada nas mãos do Eterno, que se revelou em Cristo na eternidade e na história, e que habita entre nós, e em nós, para que tudo nele se convirja e se aperfeiçoe. A Ele honra e glória para sempre. Amém.

Pastor Silvestre Junior

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